Korede limpa. Ayoola mata. E assim, a dinâmica familiar segue.
Editora Kapulana 
188 páginas
Sinopse:
Em “Minha irmã, a serial killer” (My sister, the serial killer), a nigeriana Oyinkan Braithwaite conta uma história ao mesmo tempo bem-humorada e assustadora sobre duas irmãs com temperamentos e atitudes bem diferentes uma da outra: Korede e Ayoola.
Korede é amargurada, mas pragmática. Sua irmã mais nova, Ayoola, é a filha favorita, a mais bonita, e, possivelmente, com sérios distúrbios comportamentais. Seus três últimos namorados aparecem mortos. As duas irmãs desempenham papeis inusitados nessa trama de suspense e relações emocionais complexas.
Oyn conduz a trama desse thriller psicológico com maestria que surpreende e encanta o leitor a cada página. Conta uma história cheia de suspense e mistério, com humor peculiar e ácido, sem deixar de lado a complexidade da mente de uma sociopata.
Minha Irmã, a Serial Killer é um livro que se resolve rápido. Capítulos curtos, ritmo ágil, prosa direta. Oyinkan Braithwaite não perde tempo com floreios e isso funciona muito bem para uma história que tem mais charme no tom do que na trama em si. Korede é a narradora, enfermeira dedicada, filha responsável, irmã protetora — e está cansada de ajudar a esconder corpos. O problema é que Ayoola é bonita, encantadora e os namorados dela têm o hábito inconveniente de morrer.
O grande trunfo do livro está no pano de fundo nigeriano, que traz um frescor real ao gênero. A Lagos de Braithwaite tem textura, tem hierarquia social, tem religiosidade, tem a pressão específica que recai sobre mulheres naquele contexto. Não é apenas cenário decorativo. A dinâmica entre as irmãs, a relação com a mãe, o peso de aparências dentro da família — tudo isso ganha camadas que uma história ambientada em outro lugar não teria da mesma forma. É o que diferencia o livro dentro de uma prateleira saturada.
Korede como narradora é o elemento mais interessante da construção. Ela não é confiável, não é neutra, e o leitor percebe isso gradualmente sem que a autora precise anunciar. Suas motivações para proteger Ayoola são complexas demais para caber em altruísmo puro, e Braithwaite deixa esse incômodo crescer sem resolvê-lo completamente, que é uma escolha acertada.

O problema é que os clichês narrativos do gênero aparecem cedo e aparecem com frequência. O triângulo amoroso previsível, o ritmo de revelações que segue um roteiro bastante conhecido, os personagens secundários que existem mais como funções do que como pessoas. Quem lê thriller e suspense com regularidade vai antecipar a maioria dos movimentos do enredo sem muito esforço. O final não é ingênuo — tem uma ambiguidade honesta que o salva —, mas também não surpreende de verdade.
Minha Irmã a Serial Killer é um livro que entrega o que promete: leveza, velocidade e uma perspectiva que o gênero precisava. Não redefine nada, mas não precisa. Às vezes, um livro que simplesmente funciona, tem voz própria e te faz virar páginas sem culpa já é o suficiente.


