O sol está morrendo. E a culpa, aparentemente, é de um organismo que come estrelas. Com esta premissa absurdamente empolgante, Andy Weir entrega mais uma história de ciência que parece improvável até o momento em que você percebe: não é tão improvável assim.
Editora Suma 
424 páginas
Sinopse:
Neste novo thriller científico de Andy Weir, autor best-seller de Perdido em Marte, um astronauta precisa encontrar sozinho um jeito de salvar a Terra da destruição. Ryland Grace é o único sobrevivente de uma desesperada missão de emergência – se ele falhar, toda a humanidade e o planeta Terra serão destruídos. Mas no momento ele não sabe disso. Ryland não se lembra nem do próprio nome, muito menos de sua missão ou de como cumpri-la. Tudo o que ele sabe é que dormiu por muito, muito tempo. E que despertou a milhões de quilômetros de casa, com apenas dois cadáveres como companhia. Com os colegas de tripulação mortos e as memórias confusas retornando aos poucos, Ryland vai perceber a tarefa impossível que tem nas mãos. Viajando pelo espaço em sua pequena nave, cabe a ele descobrir a resposta para um enorme mistério científico – e derrotar a ameaça de extinção da nossa espécie. O tempo está acabando, e o humano mais próximo está a anos-luz de distância, então Ryland terá que fazer tudo isso sozinho. Ou será que não?
Devoradores de Estrelas acompanha Ryland Grace, um cientista que acorda sozinho em uma nave espacial sem memória do que está fazendo ali, como chegou ou para onde vai. A medida que as lembranças voltam em flashes, o leitor vai montando o quebra-cabeça junto com ele e compreendendo a missão: Grace é a última esperança da humanidade para resolver uma crise de extinção solar. Só isso.
Weir é um escritor que ama ciência de verdade, e isso fica evidente em cada página. Diferente de muitas histórias do gênero que usam a ficção científica apenas como cenário bonito, aqui a ciência é protagonista ativa. Você vai aprender sobre astrobiologia, biofísica e mecânica orbital sem perceber que está sendo ensinado, porque o ritmo da narrativa não te deixa parar para notar. A sacada criativa sobre o que são os devoradores de estrelas subverte completamente o que esperamos de organismos alienígenas, nos forçando a pensar diferente sobre o que é “vida” e quais formas ela pode assumir.
Mas o coração do livro não é a missão. É Rocky. O vínculo construído entre Grace e o alienígena é o que transforma o livro de um bom thriller de ficção científica em algo genuinamente emocionante. Dois seres completamente diferentes, de mundos diferentes, com biologia diferente, sem idioma em comum… e mesmo assim, encontrando uma forma de se entender. Weir escreve sobre solidão e conexão com uma delicadeza que pega de surpresa, especialmente vindo de um livro tão repleto de equações e dados técnicos.

Apesar que o autor, que assume essa deficiência, não consegue construir personagens secundários com tanto coração quanto aos protagonistas. São amontoados de estereótipos e personagens rasos que servem ao protagonista para que sua história ande. Não possuem histórias pregressas que fazem o autor querer passar um tempo explorando, apesar do final uma personagem ir fora da deste padrão.
A adaptação cinematográfica chegou fiel ao material, preservando o que mais importava: o humor, a ciência e, principalmente, a dupla protagonista. Perdeu alguns detalhes do caminho, como inevitavelmente acontece, mas não perdeu a alma.
Devoradores de Estrelas é Weir operando no auge de suas capacidades. Divertido, emocionante e incrivelmente inteligente. Um livro que te faz querer torcer para que a humanidade, de fato, mereça ser salva.



