Resenha de Condição Artificial, de Martha Wells (Diários de um Robô Assassino #2)

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O Robô Assassino está de volta. Ainda antissocial, ainda assistindo séries, ainda tentando entender humanos como se fossem uma espécie ligeiramente irritante mas estranhamente difícil de ignorar.


Editora Aleph
224 páginas

Sinopse:

Um robô com o sistema hackeado (por ele mesmo) e longe das amarras da empresa que o fabricou não se importa mais com sua missão original: matar sempre que for preciso; ele quer apenas ter sossego para assistir milhares de séries de TV. Sozinho. Em paz.

Contudo, antes de começar sua vida tranquila entre os humanos, o robô precisa ter certeza de que eventos suspeitos que ocorreram no passado não voltarão a se repetir. Afinal, a última coisa de que necessita é colocar pessoas em perigo. Para desvendar o que aconteceu mesmo depois de ter parte da memória apagada, ele deverá confiar em uma nave de transporte petulante e em um novo grupo de humanos ― que parecem estar em uma enrascada maior ainda.


Condição Artificial é o segundo volume dos Diários de um Robô Assassino (Você pode ler a resenha do primeiro livro aqui) e Martha Wells mantém o que fez o primeiro funcionar: humor seco, ritmo ágil e um protagonista que é, no fundo, muito mais emocional do que admite para si mesmo. A história é curta, quase procedural na sua estrutura — há uma missão, há complicações, há resolução — mas isso não é necessariamente um problema quando a companhia é boa.

E aqui a companhia é literalmente boa. A parceria que se forma neste volume é um dos pontos mais divertidos da leitura, com uma dinâmica que Wells desenvolve com leveza e que rende os melhores momentos do livro. Ver o Robô Assassino navegando em uma relação de confiança que ele não pediu e não sabe muito bem como processar continua sendo o coração emocional da série.

Condição Artificial, de Martha Wells (Diários de um Robô Assassino #2)

O livro também avança um pouco mais sobre o passado do protagonista, expandindo o que foi apenas sugerido no primeiro volume. Não é uma revelação devastadora, é uma expansão cuidadosa, do tipo que acrescenta peso sem precisar ser melodramático. Wells entende que o passado do Robô Assassino funciona melhor como sombra do que como explicação completa.

O formato curto continua sendo ao mesmo tempo o maior charme e a maior limitação da série. Dá para ler em uma tarde, o que é delicioso, mas quem quiser mais profundidade vai sentir que a história termina exatamente quando estava ganhando tração.

Condição Artificial não supera o primeiro livro, mas não precisa. É uma continuação competente, divertida e que mantém a série exatamente no ritmo que prometeu. Para quem já está na jornada do Robô Assassino, é leitura obrigatória. Para quem ainda não começou: começa do primeiro.

Caíque Apolinário
Caíque Apolináriohttps://coadorcultural.com.br
(elu/delu - ele/dele) Escritore de seis livros de ficção cientifica e host de alguns podcasts do portal. Viciade em café, multi tarefas e o suporte de toda a equipe.

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